sábado, 24 de janeiro de 2009

A Queda do Espírito

A Queda do Espírito

 

 

A simbologia das Escrituras tem sido, através dos tempos, uma causa constante de sectarismo religioso. As Interpretações são diversas: teólogos, estudiosos ou simples comentadores; esquecidos, daquela salutar advertência de Pedro (II 1:20), de que “Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação”. A estas alturas, o que deverá prevalecer? Qual a interpretação mais correta? Evidentemente aquela que for mais consentânea com o ensino do Cristo! E, aqui, lembra-nos novamente o evangelho, quando João (14:26) coloca na boca de Jesus estas palavras premonitórias: “(...) aquele consolador vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”, lembrar?! Por que lembrar? Certamente porque o Cristo antevia, no tempo e no espaço, as deturpações que os homens haveriam de inserir no contexto do seu ensino, movidos pelos mais diversificados motivos — basicamente, pela falsa-interpretação.

Na atualidade, como resultado imediato das descobertas arqueológicas, aprofundados estudos à base de avançada tecnologia, muita coisa tem vindo à tona, permitindo aos competentes na matéria, restaurar, completar e reproduzir o que a poeira dos séculos e milênios trazia soterrada.

Outro tanto ocorre, e com mérito muitíssimo maior, no setor da exegese(1) e da hermenêutica(2) religiosas! Os símbolos vêm caindo paulatina e inexoravelmente, ante o rolo-compressor do progresso! A ciência avança, as mentes se iluminam! Não há mais fogueiras a temer, nem tribunais tenebrosos a sufocar na garganta a voz dos que querem gritar! A “Candeia” está, há mais de um século, colocada sobre o velador, só não se empapam de luz, se assim nos podemos expressar, aqueles que não o querem!

O espiritismo ensina. O espírito é criado simples e ignorante. Realiza seu processo evolutivo, no meio que lhe é próprio, isto é, na espiritualidade. Lá é “o seu mundo normal e primitivo”, ele jornadeia pelos mundos ou na condição de espírito decaído, isto é, cujo tônus vibratório defasado o tornou incompatível com o meio em que vivia, ou na condição de missionário. Mesmo nesta última condição, há que considerar o fato de que, mesmo o missionário, corporificando-se, submete-se a um processo de catarse, uma vez que, bem cumprida sua missão, ele galga escalões de progresso. Ninguém é suficientemente puro que esteja isento de progredir mais! Pelo menos na faixa da evolução intelectual.

Na obra “Os Quatro Evangelhos”, compilada por Jean-Baptiste Roustaing, e propagada pela Federação Espírita Brasileira, está dito que: “O Cristo de nossos dias não é mais o Cristo de Belém de Judá” — evolutivamente falando, é obvio. Tal afirmativa poderá até figurar como sacrílega ou blasfema. Acontece que os espíritos não cogitam absolutamente de agradar ou desagradar, a opinião de quem quer que seja — senão de revelar tudo aquilo que se enquadre no rígido racionalismo da doutrina que revelaram. O magno problema teológico da “queda do espírito” está embutido no belo símbolo do tradicional “pecado original”, belo, quanto ao aspecto do simbolismo, é claro. Triste, no entanto, se considerarmos que esse original-pecado é, em realidade, “tirando da letra que mata o espírito que vivifica”, o karma, ou seja: a bagagem dos débitos do passado e nunca débito de outrem (um hipotético e mal-digerido Adão).

“A cada um segundo suas obras” é o mandamento do Cristo. “O espírito será punido naquilo que pecou” é postulado do espiritismo. Para os espíritas, não será necessário assinalar que, no tema: “queda do espírito” está umbilicalmente ligada à reencarnação. Pela simples razão de que só ela explica o que, sem ela, ficaria por explicar. A não ser que se apele para supostos “desígnios divinos”, mistério, etc. Mas isso é outra conversa.

 

 

Joel Alves de Oliveira

Barra Mansa – RJ, 20 de Janeiro de 1998.

 

Notas da redação: 

(1) S.f. 1) comentário ou dissertação para esclarecimento ou minuciosa interpretação de um texto ou de uma palavra. Aplica-se de modo especial em relação à Bíblia.

(2) S.f. 1) Interpretação do sentido das palavras. 2) Interpretação dos textos sagrados.


domingo, 11 de janeiro de 2009

"Jean-Baptiste Roustaing o Missionário da Fé"


          Com certeza, nosso confrade Luciano dos Anjos conseguiu com esta magnífica obra, produzir a mais completa biografia do inesquecível Jean-Baptiste Roustaing. Preenchendo desta forma uma imensa lacuna que havia nos meios editoriais e encantando os admiradores e estudiosos deste grande espírita francês. Numa edição em parceria do "Grupo dos Oito" com publicação da Associação Espírita Estudantes da Verdade.
          Pesquisador incansável, Luciano acrescentou fotos e fac-símiles, onde mostra documentalmente, entre outros relevantes dados históricos, nunca ter havido nenhum tipo de problema entre Allan Kardec e Roustaing. 
         E aproveito este espaço para criar um link para o site do www.grupodosoito.com.br, onde nossos leitores poderão aprender com textos magistrais de Luciano dos Anjos, tanto sobre Roustaing, como sobre a doutrina espírita de quem nosso confrade é um dos mais nobres, cultos e dedicados representantes.

M. P de Oliveira.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O Divulgador

          Durante muitas décadas este sábio professor levou a mensagem do Espiritismo por muitas cidades. Ensinando pacientemente os profundos postulados da doutrina codificada por Allan Kardec. Sempre bem humorado fazia de suas palestras momentos agradavelmente edificantes.

                                                                                              M. P. de Oliveira

P.S: Esta foto é de uma palestra proferida por Joel Alves de Oliveira no Centro Espírita Fraternidade. Pertence ao acervo de M.A. Teixeira.

O Espiritismo Será o que dele Fizerem os Homens

“O Espiritismo Será o que dele Fizerem os Homens”1

 

 

 

Ao estudarmos o livro “No Invisível”, deparamos com a máxima:      “ O espiritismo será o que dele fizerem os homens”, do organizador das bases filosóficas espíritas; analisemos: − O que estamos fazendo com o Espiritismo? Observando mais atentamente as Casas Espíritas, constatamos inúmeros detalhes, que, juntos, contribuem para a descaracterização do Espiritismo. São resquícios oriundos de outras religiões: − O elitismo, as vestimentas especiais, ou de cores especiais, os livros-de-prece (que são uma  substituição flagrante das velas de outras religiões), etc. São práticas sutis, sem nenhum respaldo doutrinário, e,  muitas vezes, claramente anti-doutrinárias, que, com o passar do tempo, cristalizam-se nas  mentes das pessoas desavisadas, ficando difícil mudar, mesmo que lancemos mão dos mais fortes e claros argumentos.

Os Defensores de tais idéias “argumentam” que mal não fazem... Será que não fazem mesmo? Vejamos: − Aprendemos com um irmão muito querido, sobre o poder dos costumes, mas isso não se justifica irmos contra um dos principais objetivos do Espiritismo, que é esclarecer e preparar o homem para a liberdade de pensamento. Como disse Jesus, em João 8:32 –“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

No passado, o Cristianismo primitivo foi absorvendo do paganismo idéias, costumes, etc., que, com o passar do tempo, foram se incorporando, até que se transformarem em leis, a respeito das quais não se podia indagar os porquês. São os dogmas, verdadeiras ginásticas mentais, que só a fé irracional consegue entender. E, por causa desses dogmas, lá se vão 2.000 anos de perseguições, guerras e intolerância religiosa, em nome de Deus.

Foram os “sábios doutores da lei” que, com seus “argumentos” esdrúxulos e sofísticos afirmavam que as massas não tinham capacidade para compreender as Escrituras, e, com isso, as verdades eternas ficaram encobertas pelo véu da ignorância... Coisa semelhante vem ocorrendo, em nossas fileiras, quando se deixa de esclarecer, a título de atrair freqüentadores. Com isso, se favorece o trabalho das  sombras, que visa obscurecer as mentes.

 Mas, tenhamos sempre em vista, como está bem colocado na “Gênese” de Kardec: “O Espiritismo  não é dos homens, não é dos espíritos, é de Deus”. Sendo de Deus, é imutável. Desta forma, tem-se a impressão de que a Gênese desmente o que foi posto por Léon Denis. Sabemos que não é assim. Ele referia-se ao Movimento Espírita. Nós, Espíritas! Temos o dever de não deixar que aconteça tudo isso novamente! O caminho a percorrer é o recomendado por  Emmanuel: −“Estudar, estudar, estudar”. Somente com o estudo e meditação seremos  capazes de detectar esses “corpos estranhos” e evitar que idéias obscurantistas nos envolvam, atrasando a  instalação do Reino de Deus na Terra.

 

M.A. Teixeira

 

 

Artigo transcrito do periódico “O 3 de Outubro”, nº 14, ano I, mês de outubro de 1999. Barra Mansa – RJ.

 

(1)     Extraído do livro “No Invisível”, introdução;

Autor: Léon Denis

Editora: FEB

 

 

domingo, 21 de dezembro de 2008

Manifestações Espíritas na Bíblia

Manifestações Espíritas na Bíblia

  

A Bíblia é um imenso repositório de manifestações espíritas. Quem a lê, de espírito desarmado e com olhos de ver, encontra nela um precioso filão, que vem, há milênios, revelando à humanidade o incessante intercâmbio da espiritualidade, ou seja, o exercício da mediunidade. Léon Denis, o filósofo do espiritismo, escreveu uma obra magistral, intitulada “Cristianismo e Espiritismo”, em que expõe e comenta inúmeros fatos, respigados no antigo e novo testamentos, dos quais aflora a intervenção dos espíritos entre os homens.

Prestando nossas homenagens ao grande colaborador de Allan Kardec, ousamos, dentro de nossas modestas limitações, realizar este trabalho, da mesma índole, com o só intuito de prestigiar a tese espírita, do que se vem ultimamente denominando transcomunicação.

Alinhavemos alguns exemplos: Em(Gen. 32:22/32), temos o relato de uma luta de Jacó com um homem, que seria o próprio Deus, ocorrência que só poderá ser considerada verossímil, admitindo-se tratar-se de um espírito materializado. No Cap. 37, José relata a seus irmãos vários “sonhos” que tivera, nos quais havia uma evidência de que ele teria supremacia sobre seus muitos irmãos e até mesmo sobre seus pais! Trata-se, sem dúvida, de “sonhos premonitórios”, ou seja, de sonhos que antecipam acontecimentos, que realmente vêm a se realizar. (Nos tempos atuais, temos, por exemplo, o caso de Abraão Lincoln, presidente dos Estados Unidos, que se vira, em sonho, num caixão, com guarda oficial, etc. vindo a ser assassinado, pouco depois...). Nos capítulos 40 e 41, José repete a façanha, interpretando os sonhos do copeiro-chefe e do padeiro-chefe do faraó, bem como os do próprio faraó! Ora José era um adolescente de dezessete anos, de que elementos dispunha para assumir a posição de “interprete” dos sonhos do todo-poderoso rei do Egito – senão por que o fez, por ser um grande médium?

No livro do Êxodo, cap. 3, elevada entidade espiritual que ele julgou ser o próprio Deus, aparece a Moisés, e com ele dialoga, “do meio de uma sarça ardente”! Trata-se de fenômenos naturais, que nada têm de miraculosos, mesmo porque “milagre”, no conceito comum, não existe – fenômenos que o espiritismo classifica como: pneumatofonia  (a voz, que saía da sarça), e a incombustibilidade do vegetal. Moisés, médium multiforme, ele próprio forneceu os elementos necessários, para que tais fenômenos mediúnicos se verificassem. A seguir por intermédio de Moisés, o estupendo “fenômeno físico” da vara que se transforma em cobra, da “morfeização da mão do grande profeta”; e da transformação, em sangue, das águas que ele apanharia do rio Nilo!...

E o “nascimento” de Jesus, relatado em (Lc 2: 6/7)? Que fato semelhante jamais ocorreu, debaixo do sol?! Uma virgem concebe, dá à luz... e permanece virgem?! E a transmutação de água em vinho, operada pelo Cristo, nas “Bodas” em Caná da Galileia, (Jo 2: 1/11)?!

As mil e uma curas que realizou, curando enfermos do corpo e da alma, limpando leprosos, dando visão aos cegos, ressuscitando pessoas mortas, desobsidiando possessos de toda espécie, realizando extraordinários fenômenos de materialização, transporte, bilocação, dupla-vista... que deixavam a todos maravilhados, atribuindo-os a milagre – como até hoje, passados dois mil anos, os homens, em geral, não conseguem entender e, muito menos explicar?!

Mas os tempos chegaram! O Consolador Prometido surgiu nos horizontes do mundo! O Espiritismo, codificado na Doutrina Espírita, veio cumprir, está cumprindo e cumprirá integralmente a promessa de Jesus, quando anunciou às vésperas de sua partida: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco... Mas,  o consolador, o espírito-santo, a quem o PAI enviará, em meu nome, esse, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito!” – (Jo 14:16/26).

E esse elenco formidável de fatos bíblicos, que ainda hoje, lamentavelmente, permanecem inexplicáveis a tantos, a não ser pela tese absurda e irracional do “milagre”, esses fatos são elucidados cabalmente pelo espiritismo, através de seu tríplice aspecto de ciência, filosofia e religião, tirando-se da “letra que mata o espírito que vivifica”.

Nem foi por outro motivo que Jesus advertiu: “O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz, e o que se vos diz ao ouvido,  proclamai-o dos eirados!” (Mt 10:27).

 

 

Joel Alves de Oliveira

Barra Mansa – RJ, 19 de Outubro de 1991.

 

 

domingo, 14 de dezembro de 2008

Acheiropoietus

"Acheiropoietus"


Não feito por humanas mãos carnais,
Ele, que veio, um dia, das estrelas...
possuía, no olhar, o brilho delas...
Seu corpo tinha linhas divinais...

Naquelas formas lúcidas, naquelas 
suaves expressões celestiais, 
estava a flor dourada dos trigais...
As essências mais puras e mais belas...

Eis o CRISTO fluídico! O CRISTO
qual nenhum outro ser jamais foi visto,
que o pudesse igualar! Nenhum! Nenhum!

Eis a razão por que ele esclarecia
a quem ouvir pudesse o que dizia:
Eu e o Pai, em verdade, somos um!

Joel Alves de Oliveira
Barra Mansa - RJ - 16 de Janeiro de 1997

sábado, 6 de dezembro de 2008

Uma Lembrança Inesquecível


          Sempre que me recordo das memoráveis noites de quarta-feira, onde podíamos em torno daquela mesa mediúnica, desfrutar dos conhecimentos deste sábio, sinto muita saudade.
          Divido com vocês, através desta foto, um destes momentos inesquecíveis.
           A foto pertence ao acervo pessoal de M.A. Teixeira e foi tirada em 22 de março de 1995.
M. P de Oliveira