sábado, 31 de janeiro de 2009

O Sonho do Senador

O Sonho do Senador

 

 

O Senador romano Públio Lentulus Cornelius, descendente da famosa “gens Cornelia”, era bisneto do cônsul Públio Lentulus Sura, déspota cruel que tomara parte na conspiração de Catilina e que, prevalecendo-se de sua autoridade, fizera as mais tremendas vinganças contra seus inimigos políticos. Muitos adversários tiveram os olhos vazados com ferro em brasa, nas masmorras.

Falhada a conjuração, que foi em tempo denunciada por Cícero ao senado, no ano 63 a.C., Lúcio Sergius Catilina foi morto, de armas na mão, em Pistóia. Esse fato foi minuciosamente relatado por Salústio e chegou aos nossos dias, igualmente pelos famosos discursos de Cícero, conhecidos pelo nome de Catilinárias. O Ex-consul Públio Lentulus Sura não teve a glória de morrer em combate: foi preso e estrangulado.

Seu bisneto, Públio Lentulus Cornelius, orgulhoso senador romano, contemporâneo de Jesus, cuja autobiografia é o tema do romance “Há dois mil anos...”, de Emmanuel, no ano 31 de nossa era teve um sonho nítido e terrível que lhe revelou o tenebroso passado e lhe deu conhecimento da lei das encarnações sucessivas. Sonhou que ele mesmo era aquele antepassado cruel que vazava os olhos dos inimigos e que mais tarde fora estrangulado; depois de terrível sofrimento no mundo espiritual, fora julgado por um tribunal sábio e misericordioso que lhe dera por sentença voltar à terra, em encarnação expiatória, mas com a possibilidade de conhecer a Verdade, pois viveria ao mesmo tempo que o Divino Mestre, de quem receberia os grandes ensinos e os exemplos. Se tivesse coragem de romper com o orgulho e os preconceitos de nobreza e autoridade, suavizaria de muito suas expiações e progrediria rapidamente.

Profundamente impressionado com este sonho, deu minuciosa busca nos arquivos da família e encontrou numerosos manuscritos do seu antepassado, cuja escrita era muito semelhante à sua. Igualmente os traços fisionômicos eram os mesmos de um retrato em cera do bisavô.

Todos os fatos se encaminharam para que ele viesse a encontrar o Divino Mestre que lhe curou de lepra uma filhinha, e ouvisse diretamente dos lábios de Jesus a grande lição de que necessitava mudar de rumo; mas o orgulho o cegava: negou a realidade da cura pelo Cristo e continuou sua vida em busca das glórias do mundo, desprezando as realidades espirituais.

Destruiu sua própria felicidade no lar dando créditos a calunias contra sua santa esposa, modelo de virtudes, e recusando-se a ouvir dos lábios dela qualquer justificativa. Só trinta anos mais tarde veio conhecer a verdade e compreender o crime que cometera contra a esposa; quis reconciliar-se com ela, mas demasiado tarde, porque ela havia sido lançada às feras no circo, com outros cristãos, algumas horas antes do momento que ele a si mesmo marcara para confessar-lhe seu erro.

Desprezou todos os meios que a providência colocara em suas mãos para suavizar-lhe as provas, e se projetou, pela cegueira do orgulho, nos mais terríveis sofrimentos de uma encarnação longa e pouco aproveitada.

Dois mil anos mais tarde nos vêm ele mesmo, já trabalhado pela dor e convertido ao bem, com o pseudônimo de Emmanuel, tão caro a todos nós, contar-nos sua história para edificação nossa.

“Há dois mil anos...” e “Cinqüenta anos depois” são dois volumes que a misericórdia divina lhe permitiu entregar-nos para demonstrar os abismos em que nos pode projetar o orgulho de casta e de família.

A forma literária desses livros é a de romances encantadores, que são lidos até pelos mais descrentes, mas merecem ser estudados e meditados pacientemente por nós que temos a fortuna de crer na Terceira Revelação e por isto mesmo com maiores responsabilidades.

Ismael Gomes Braga

Extraído da Revista “Reformador”, mensário religioso de espiritismo cristão, editado pela Federação Espírita Brasileira do mês de fevereiro de 1951.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Queda do Espírito

A Queda do Espírito

 

 

A simbologia das Escrituras tem sido, através dos tempos, uma causa constante de sectarismo religioso. As Interpretações são diversas: teólogos, estudiosos ou simples comentadores; esquecidos, daquela salutar advertência de Pedro (II 1:20), de que “Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação”. A estas alturas, o que deverá prevalecer? Qual a interpretação mais correta? Evidentemente aquela que for mais consentânea com o ensino do Cristo! E, aqui, lembra-nos novamente o evangelho, quando João (14:26) coloca na boca de Jesus estas palavras premonitórias: “(...) aquele consolador vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”, lembrar?! Por que lembrar? Certamente porque o Cristo antevia, no tempo e no espaço, as deturpações que os homens haveriam de inserir no contexto do seu ensino, movidos pelos mais diversificados motivos — basicamente, pela falsa-interpretação.

Na atualidade, como resultado imediato das descobertas arqueológicas, aprofundados estudos à base de avançada tecnologia, muita coisa tem vindo à tona, permitindo aos competentes na matéria, restaurar, completar e reproduzir o que a poeira dos séculos e milênios trazia soterrada.

Outro tanto ocorre, e com mérito muitíssimo maior, no setor da exegese(1) e da hermenêutica(2) religiosas! Os símbolos vêm caindo paulatina e inexoravelmente, ante o rolo-compressor do progresso! A ciência avança, as mentes se iluminam! Não há mais fogueiras a temer, nem tribunais tenebrosos a sufocar na garganta a voz dos que querem gritar! A “Candeia” está, há mais de um século, colocada sobre o velador, só não se empapam de luz, se assim nos podemos expressar, aqueles que não o querem!

O espiritismo ensina. O espírito é criado simples e ignorante. Realiza seu processo evolutivo, no meio que lhe é próprio, isto é, na espiritualidade. Lá é “o seu mundo normal e primitivo”, ele jornadeia pelos mundos ou na condição de espírito decaído, isto é, cujo tônus vibratório defasado o tornou incompatível com o meio em que vivia, ou na condição de missionário. Mesmo nesta última condição, há que considerar o fato de que, mesmo o missionário, corporificando-se, submete-se a um processo de catarse, uma vez que, bem cumprida sua missão, ele galga escalões de progresso. Ninguém é suficientemente puro que esteja isento de progredir mais! Pelo menos na faixa da evolução intelectual.

Na obra “Os Quatro Evangelhos”, compilada por Jean-Baptiste Roustaing, e propagada pela Federação Espírita Brasileira, está dito que: “O Cristo de nossos dias não é mais o Cristo de Belém de Judá” — evolutivamente falando, é obvio. Tal afirmativa poderá até figurar como sacrílega ou blasfema. Acontece que os espíritos não cogitam absolutamente de agradar ou desagradar, a opinião de quem quer que seja — senão de revelar tudo aquilo que se enquadre no rígido racionalismo da doutrina que revelaram. O magno problema teológico da “queda do espírito” está embutido no belo símbolo do tradicional “pecado original”, belo, quanto ao aspecto do simbolismo, é claro. Triste, no entanto, se considerarmos que esse original-pecado é, em realidade, “tirando da letra que mata o espírito que vivifica”, o karma, ou seja: a bagagem dos débitos do passado e nunca débito de outrem (um hipotético e mal-digerido Adão).

“A cada um segundo suas obras” é o mandamento do Cristo. “O espírito será punido naquilo que pecou” é postulado do espiritismo. Para os espíritas, não será necessário assinalar que, no tema: “queda do espírito” está umbilicalmente ligada à reencarnação. Pela simples razão de que só ela explica o que, sem ela, ficaria por explicar. A não ser que se apele para supostos “desígnios divinos”, mistério, etc. Mas isso é outra conversa.

 

 

Joel Alves de Oliveira

Barra Mansa – RJ, 20 de Janeiro de 1998.

 

Notas da redação: 

(1) S.f. 1) comentário ou dissertação para esclarecimento ou minuciosa interpretação de um texto ou de uma palavra. Aplica-se de modo especial em relação à Bíblia.

(2) S.f. 1) Interpretação do sentido das palavras. 2) Interpretação dos textos sagrados.


domingo, 11 de janeiro de 2009

"Jean-Baptiste Roustaing o Missionário da Fé"


          Com certeza, nosso confrade Luciano dos Anjos conseguiu com esta magnífica obra, produzir a mais completa biografia do inesquecível Jean-Baptiste Roustaing. Preenchendo desta forma uma imensa lacuna que havia nos meios editoriais e encantando os admiradores e estudiosos deste grande espírita francês. Numa edição em parceria do "Grupo dos Oito" com publicação da Associação Espírita Estudantes da Verdade.
          Pesquisador incansável, Luciano acrescentou fotos e fac-símiles, onde mostra documentalmente, entre outros relevantes dados históricos, nunca ter havido nenhum tipo de problema entre Allan Kardec e Roustaing. 
         E aproveito este espaço para criar um link para o site do www.grupodosoito.com.br, onde nossos leitores poderão aprender com textos magistrais de Luciano dos Anjos, tanto sobre Roustaing, como sobre a doutrina espírita de quem nosso confrade é um dos mais nobres, cultos e dedicados representantes.

M. P de Oliveira.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O Divulgador

          Durante muitas décadas este sábio professor levou a mensagem do Espiritismo por muitas cidades. Ensinando pacientemente os profundos postulados da doutrina codificada por Allan Kardec. Sempre bem humorado fazia de suas palestras momentos agradavelmente edificantes.

                                                                                              M. P. de Oliveira

P.S: Esta foto é de uma palestra proferida por Joel Alves de Oliveira no Centro Espírita Fraternidade. Pertence ao acervo de M.A. Teixeira.

O Espiritismo Será o que dele Fizerem os Homens

“O Espiritismo Será o que dele Fizerem os Homens”1

 

 

 

Ao estudarmos o livro “No Invisível”, deparamos com a máxima:      “ O espiritismo será o que dele fizerem os homens”, do organizador das bases filosóficas espíritas; analisemos: − O que estamos fazendo com o Espiritismo? Observando mais atentamente as Casas Espíritas, constatamos inúmeros detalhes, que, juntos, contribuem para a descaracterização do Espiritismo. São resquícios oriundos de outras religiões: − O elitismo, as vestimentas especiais, ou de cores especiais, os livros-de-prece (que são uma  substituição flagrante das velas de outras religiões), etc. São práticas sutis, sem nenhum respaldo doutrinário, e,  muitas vezes, claramente anti-doutrinárias, que, com o passar do tempo, cristalizam-se nas  mentes das pessoas desavisadas, ficando difícil mudar, mesmo que lancemos mão dos mais fortes e claros argumentos.

Os Defensores de tais idéias “argumentam” que mal não fazem... Será que não fazem mesmo? Vejamos: − Aprendemos com um irmão muito querido, sobre o poder dos costumes, mas isso não se justifica irmos contra um dos principais objetivos do Espiritismo, que é esclarecer e preparar o homem para a liberdade de pensamento. Como disse Jesus, em João 8:32 –“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

No passado, o Cristianismo primitivo foi absorvendo do paganismo idéias, costumes, etc., que, com o passar do tempo, foram se incorporando, até que se transformarem em leis, a respeito das quais não se podia indagar os porquês. São os dogmas, verdadeiras ginásticas mentais, que só a fé irracional consegue entender. E, por causa desses dogmas, lá se vão 2.000 anos de perseguições, guerras e intolerância religiosa, em nome de Deus.

Foram os “sábios doutores da lei” que, com seus “argumentos” esdrúxulos e sofísticos afirmavam que as massas não tinham capacidade para compreender as Escrituras, e, com isso, as verdades eternas ficaram encobertas pelo véu da ignorância... Coisa semelhante vem ocorrendo, em nossas fileiras, quando se deixa de esclarecer, a título de atrair freqüentadores. Com isso, se favorece o trabalho das  sombras, que visa obscurecer as mentes.

 Mas, tenhamos sempre em vista, como está bem colocado na “Gênese” de Kardec: “O Espiritismo  não é dos homens, não é dos espíritos, é de Deus”. Sendo de Deus, é imutável. Desta forma, tem-se a impressão de que a Gênese desmente o que foi posto por Léon Denis. Sabemos que não é assim. Ele referia-se ao Movimento Espírita. Nós, Espíritas! Temos o dever de não deixar que aconteça tudo isso novamente! O caminho a percorrer é o recomendado por  Emmanuel: −“Estudar, estudar, estudar”. Somente com o estudo e meditação seremos  capazes de detectar esses “corpos estranhos” e evitar que idéias obscurantistas nos envolvam, atrasando a  instalação do Reino de Deus na Terra.

 

M.A. Teixeira

 

 

Artigo transcrito do periódico “O 3 de Outubro”, nº 14, ano I, mês de outubro de 1999. Barra Mansa – RJ.

 

(1)     Extraído do livro “No Invisível”, introdução;

Autor: Léon Denis

Editora: FEB