sábado, 21 de março de 2009

Fatalidade

Fatalidade

 

Frequentemente, devido ao grande trânsito de pessoas a deslocarem-se por municípios diversos, estados e países, conduzidos pelos mais diversos meios de transporte. Ou ainda motivados pelos desastres naturais, como as enchentes que aconteceram este ano no Brasil, vitimando centenas de pessoas, além de terremotos, maremotos, etc. Tomamos conhecimento através dos noticiários o saldo trágico com dezenas, centenas e às vezes milhares de mortos.

Somos tomados de comoção, quando vemos em nossos televisores um avião em chamas como no desastre da TAM, onde 199 pessoas pereceram diante de nossos olhos estarrecidos.

Depois a indignação dos parentes, autoridades atarantadas prometendo providências, todavia, nenhuma reflexão de caráter filosófico, as religiões tradicionais não possuem respostas e quando indagados tergiversam melancolicamente.

Claro que há uma razão, claro que há um porquê, caso contrário seria imaginarmos a Terra girando cada dia de um modo, ou a lua resolver viajar para gravitar em torno de outro planeta, a semente jogada em solo fértil não projetar-se em direção à luz ou moléculas de hidrogênio e oxigênio em condições normais não transformarem-se em moléculas de água. O caos! A desordem!

Há uma ordem no universo, na química, na física, na biologia, se em algum momento algo foge a regra é porque os homens de ciência ainda não conhecem todas as nuances da questão.

Não seria diferente com o destino humano, não estamos atirados ao acaso, aos acontecimentos fortuitos ou a irresponsabilidade de algum sádico, uma bala nunca é perdida.

Acontece que nossos homens de religião fogem de encarar algo além da matéria, espremidos por filosofias negativistas, presos em suas próprias convenções e mais interessados em erguer templos de pedra e administrarem a religião como se fosse uma empresa, escravos tornaram-se das conveniências do mundo.

Porém o espiritismo, esta luz meridiana que desde 18 de Abril de 1857 com a publicação do “Livro dos Espíritos” organizados por Allan Kardec, vem projetando abundantes jorros de saber, esclarecendo as mais intrincadas perguntas que ao longo dos séculos os filósofos não deram respostas adequadas, vem sobre este tema em pauta, a fatalidade, as grandes tragédias, fornecer adequada e límpida resposta cheia da mais profunda lógica e razão.

Pergunta 851 do livro dos espíritos, “Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?”

“R: A fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhe-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca as provas morais e às tentações, o espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir. Ao vê-lo fraquear um bom espírito pode vir-lhe em auxílio, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar-lhe a vontade.”

Esta magistral resposta dos espíritos reveladores deixa muito clara, somos nós mesmos, que, na espiritualidade (óbvio, assessorados pelos nossos mentores) escolhemos baseados na nossa história pretérita e na necessidade de purgar desatinos outrora cometidos, as mais diferentes provas, entre elas, perecer em algum acidente coletivo.

Visto por está óptica as coisas começam a clarear, não estamos entregues à mão de alguém, que, irresponsavelmente pode nos roubar a vida em um assalto, tudo neste mundo segue uma ordem racional, o acaso não existe! Quando vemos um inocente, nesta vida, amargar, anos em uma penitenciária por crime que não cometeu, não é apenas um erro judiciário que às vezes tardiamente é corrigido, e o mesmo irmão que outrora, escapou das malhas da lei por algum crime que ardilosamente conseguiu ocultar. Aos olhos de Deus nada há de oculto, nossos mínimos gestos estão computados em planilha justíssima que dá a cada um segundo suas obras.

Quando o avião da Gol se precipitou ao solo, levando consigo centenas de vítimas, trazendo consigo dor e lágrimas, com certeza aqueles mesmos irmãos que ali pereceram, levantaram dos destroços em seus corpos imperecíveis, sorrindo, rumo à espiritualidade, pois, no sofrimento, quitaram suas dívidas.

Concluindo nosso modesto estudo vamos transcrever as esclarecedoras informações contidas nos “Quatro Evangelhos” do missionário da fé Jean-Baptiste Roustaing, onde os espíritos prestaram as mais lúcidas informações sobre trágicos acontecimentos.

“Aquele que, ao encarnar, escolheu por provação a morte violenta, precedida das angústias e alternativas que cercam os últimos momentos do náufrago, sujeito a se debater entre a submissão ao Criador, à resignação, o remorso das faltas passadas, a confiança na bondade divina e o pavor, a blasfêmia, a raiva insensata que se apodera de alguns nessa hora terrífica, será levado, pelo seu próprio espírito, a preferir um navio a outro, a se ver urgido por um negócio a embarcar em determinada ocasião, a contar mesmo com um acaso feliz, com a sorte, com sua boa estrela. E partirá porque, durante o desprendimento a que o sono dá lugar, o seu espírito se torna consciente das sérias obrigações que contraiu e toma de novo a resolução de conduzir o corpo à situação em que, unidos, devem ambos terminar suas provas, voltando este à massa comum e libertando-se ele, o espírito, da escravidão corporal e readquirindo a liberdade. A resolução assim retomada e da qual não resta lembrança no estado de vigília deixa no homem a impressão vaga que vem a constituir o que se chama a sua inspiração, a determinante dos seus atos.

Assim como não pode prever o seu naufrágio, também o homem não prevê a hora em que as chamas de um incêndio lhe devorarão a casa, em que será sepultado pelo desabamento da escavação, da mina, pedreira onde trabalhe e os que têm de perecer deste modo perecem. Porquê? Porque, semelhante ao náufrago, escolheram, para terminação da vida terrena, a morte violenta, cercada das angústias e alternativas das daquele e precedida da mesma luta entre a submissão ao Criador, a resignação, o remorso, a confiança na bondade divina e o pavor, a blasfêmia, o desespero.

Como o náufrago, foram levados, pelos seus próprios espíritos a preferir uma habitação à outra em certa ocasião, a preferir, para trabalhar, esta escavação àquela.

Os que tenham de perecer de qualquer desses modos, por haver soado a hora final das suas provas terrenas e por serem de qualquer desses gêneros a provação e a expiação que escolheram, perecem inevitavelmente”.

 

                                         M.P de Oliveira.(*)

(*) Por honestidade, ao terminar de redigir este artigo veio a mente o nome “Leopoldo”, que, com certeza é o autor do mesmo.

 

Os textos citados foram extraídos dos “Quatro Evangelhos”, Autor: Jean-Baptiste Roustaing, Edição da FEB – Federação Espírita Brasileira, 5ª Edição, ano 1971.

O Livro dos Espíritos, Autor: Allan Kardec, Edição da FEB – Federação Espírita Brasileira, 77ª edição, ano 1997.

     

domingo, 8 de março de 2009

Alergia e Obsessão

Alergia e Obsessão

 

 

Quem se consagra aos trabalhos de socorro espiritual há de convir, por certo, em que a obsessão é um processo alérgico, interessando o equilíbrio da mente.

Sabemos que a palavra “alergia” foi criada, no século XX, pelo médico vienense Von Pirquet, significando a reação modificada nas ocorrências da hipersensibilidade humana.

Semelhante alteração pode ser provocada no campo orgânico pelos agentes mais diversos, quais sejam os alimentos, a poeira doméstica, os polens das plantas, os parasitos da pele, do intestino, e do ar, tanto quanto as bactérias que se multiplicam em núcleos infecciosos.

As drogas largamente usadas, quando em associação com fatores protéicos, podem suscitar igualmente a constituição de alérgenos alarmantes.

Como vemos, os elementos dessa ordem são exógenos ou endógenos, isto é, procedem do meio externo ou interno, em nos reportando ao mundo complexo do organismo.

A medicina moderna, analisando a engrenagem do fenômeno, admite que a ação do anticorpo sobre o antígeno, na intimidade da célula, liberta uma substância semelhante à histamina, vulgarmente chamada substância “H”, que agindo sobre os vasos capilares, sobre as fibras e sobre o sangue, atua desastrosamente, ocasionando variados desequilíbrios, a se expressarem, de modo particular, na dermatite atípica, na dermatite de contato, na coriza espasmódica, na asma, no edema, na urticária, na enxaqueca e na alergia sérica, digestiva, nervosa ou cardiovascular.

Evitando, porém, qualquer preciosismo da técnica científica e relegando à medicina habitual o dever de assegurar os processos imunológicos da integridade física, recordemos que as radiações mentais, que podemos classificar por agentes “R”, na maioria das vezes se apresentam, na base de formação da substância “H”, desempenhando importante papel em quase todas as perturbações neuropsíquicas e usando o cérebro como órgão de choque.

Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos.

Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a brutalidade, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes “R”, de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, exógenos e endógenos, suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos da desarmonia mental.

Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a nossa cura.

Para sanar a obsessão nos outros ou em nós mesmos, é preciso cogitar dos agentes “R” que estamos emitindo.

O pensamento é força que determina, estabelece, transforma, edifica destrói e reconstrói.

Nele, ao influxo divino, reside a gênese de toda a Criação.

Respeitemos, assim, a dieta do Evangelho, procurando erguer um santuário de princípios morais respeitáveis para as nossas manifestações de cada dia.

E, garantindo-nos contra a alergia e a obsessão de qualquer procedência, atendamos ao sábio conselho de Paulo, o grande convertido, quando adverte aos cristãos da igreja de Filipos:

— “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é nobre, tudo o que é puro, tudo o que é santo, seja, em cada hora da vida, a luz dos vossos pensamentos”.

 

Pelo espírito Dias da Cruz

Fonte: Xavier, Francisco Cândido. Instruções Psicofônicas. Diversos espíritos. 9ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 19, pág. 97-99.

   

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Menino Jesus no Templo


O Menino Jesus no Templo

 

Lucas foi o único evangelista a registrar a presença de Jesus, aos doze anos, assentado no meio dos mestres, no templo de Jerusalém, ouvindo-os e interrogando-os, conforme relata no capítulo 2 do seu evangelho. Quase dezenove séculos depois, em Paris, o pintor francês Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867) iria imortalizar na tela a famosa passagem evangélica.

Era o ano de 1862. Mal sabia ele que, no recesso de seu ateliê, enquanto pincelava em silêncio a tela que ficaria mundialmente conhecida como “Jesus entre os Doutores”, estava sendo observado por um espírito que também fora pintor quando encarnado, chamado Davi, provavelmente o mestre do classicismo que lhe ensinara, em 1797 — quando Ingres contava apenas 17 anos —, os rudimentos de sua bela arte(1).

Esse acontecimento ensejaria a publicação de uma bela página na Revista Espírita de junho de 1862(2).

Allan Kardec informa, nessa página, que a Srª. Dozon, sua colega da Sociedade Espírita de Paris, recebeu uma comunicação espontânea em casa, em nove de abril do citado ano, de uma entidade que assinou o nome “Davi, pintor”.

Reportando-se ao tema evangélico “O menino Jesus encontrado por seus pais pregando no Templo, entre doutores”, disse o espírito que este foi o motivo de uma tela inspirada a um dos maiores pintores daquele tempo. Nesse quadro, onde brilhava “[...] a luz que Deus dá às almas para as esclarecer e as conduzir às regiões celestes [...]”, o artista executara, inconscientemente, uma ordem da suprema vontade. E da multidão que o contemplasse depois de pronto, parando emocionada diante dessa figura do Jesus menino, mais de um coração seria conduzido ao pé da cruz.

O comunicante antecipa que tudo merece ser admirado na obra-prima de Ingres:

Vós o apreciareis um dia; eu vi as primeiras pinceladas sobre            essa tela bendita. Vi surgirem, uma a uma as figuras, as poses dos doutores; vi o anjo protetor de Ingres, inspirando-o, fazer cair os pergaminhos das mãos de um desses doutores. Meu Deus, aí se encontra toda uma revelação! Essa voz de criança destruirá também, uma a uma, as leis que não são suas. (Op.Cit.)

 

Kardec Opina

 

Nem a médium nem seu marido tinham ouvido falar deste quadro. Dos artistas consultados, nenhum tomara dele conhecimento. O ditado mediúnico poderia ser, portanto, uma mistificação. A melhor maneira de esclarecer a dúvida seria procurar pessoalmente o artista, para saber se ele se ocupara do assunto. Dessa missão foi incumbido o Sr. Dozon. Ao entrar no ateliê, viu o quadro recém acabado, com as tintas frescas, ainda desconhecido do público. E o mais notável de tudo é que a revelação espiritual era de uma exatidão admirável: tudo estava ali retratado, exatamente como o espírito dissera.

Quando o quadro foi exposto numa sala do Boulevard des Italiens, o eminente codificador do espiritismo foi vê-lo e admirá-lo, registrando mais tarde, que ele representava uma das páginas mais sublimes da pintura de seu tempo. “[...] Mas o que dele faz uma obra-prima invulgar é o sentimento que aí domina, a expressão, o pensamento que brota de todas essas figuras, sobre as quais é possível ler a surpresa, a estupefação, a comoção, a dúvida, a necessidade de negar, a irritação por se ver abatido por uma criança. Tudo isto é tão verdadeiro, tão natural, que começamos a pôr em cada boca. Quanto à criança, é de um ideal que deixa muito para trás tudo quanto já foi feito sobre o mesmo assunto. Não é um orador que fala aos seus ouvintes; nem mesmo os olha: nele adivinhamos o órgão de uma voz celeste.” (Op. Cit)

Consultado o pintor revelou “que não tinha composto esse quadro em condições ordinárias; disse tê-lo começado pela arquitetura [...]”, o que não era de seu feitio, e que as várias personagens que o compõem vinham posicionar-se espontaneamente sob seu pincel, sem que houvesse premeditação de sua parte para esse arranjo.

 

Triunfo do Espiritualismo

 

Quando o fato foi relatado na Sociedade Espírita de Paris, o espírito Lamennais se manifestou para dizer “[...] que a espiritualidade e os movimentos da alma constituem a fase mais brilhante da arte [...]”. Revelou ainda que, “[...] em sua obra, Ingres não só nos mostra o estudo divino do artista, mas, também, a sua mais pura inspiração [...], a idealidade haurida na natureza simples, verdadeira e, por conseguinte, bela em toda a acepção do termo [...]”. E conclui:

[...] Nós os espíritos, aplaudimos as obras espiritualistas, assim como censuramos a glorificação dos sentimentos materiais e de mau gosto. É uma virtude sentir a beleza moral e a beleza física nesse ponto; é a marca certa de sentimentos harmoniosos, no coração e na alma; e, quando o sentimento do belo se desenvolve a esse ponto, é raro que o sentimento moral também não o seja. É um grande exemplo o desse velho de oitenta anos que, no seio de uma sociedade corrompida, representa o triunfo do espiritualismo, com o gênio sempre jovem e sempre puro da fé. (Op.Cit)

Pesquisando na internet tivemos o imenso prazer de localizar a famosa tela de Ingres. A sensação de estar contemplando o mesmo quadro que suscitou tanta admiração em Kardec, levou-nos à composição do seguinte poema:

                           

 

Jesus entre os doutores

 

Ei-lo no templo, Jesus, um menino,

Dando aos Doutores a excelsa lição,

E sobrepondo à humana argüição

A intensa luz de seu Verbo Divino.

 

     Na face deles é enorme a emoção,

     Em cada olhar há surpresa ante o ensino;

     Vede que tomba das mãos dum rabino

     A antiga lei de Moisés pelo chão!

 

Entre uma e outra sutil pincelada,

Ingres medita e, de alma inspirada,

Susta no ar o pincel em fulgores...

 

     Mas finda a obra e desfeito esse espanto,

     A tela mostra, sublime, o encanto

     Do Cristo jovem pregando aos doutores.

 

                                                                           Mário Frigéri (autor do artigo e do poema)

 

Extraído do Reformador, mensário religioso de espiritismo cristão, do mês de setembro de 2007 — Ano 125 ● nº. 2.142.

(1)        Gênios da Pintura. Neoclássicos, Românticos e Realistas. Abril Cultural, 1980. pág. 117/118.

(2)        Kardec, Allan. Revista Espírita. 2ª edição, Rio de Janeiro: FEB, 2006. Junho de 1862, pág. 246/250.

 Nota da Redação do Blog: A cópia do famoso quadro "Jésus Parmi les Docteurs" de Ingres foi conseguido no site: www.culture.gouv.fr

De onde extraímos os seguintes dados técnicos: Titre: Jésus Parmi les Docteurs

Période: 3e quart 19e siècle

Dimensions: Hauteur: 265 cm, Largeur: 320 cm;

Restauration: En 1967.

 

 

 

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Transcomunicação Instrumental

Transcomunicação Instrumental

 

Cada vez mais, a existência do mundo espiritual vai sendo constatada indiscutivelmente. Numa reafirmação de que a Doutrina Espírita está com a verdade, ao comprovar, desde 1857, através de O Livro dos Espíritos, início da Codificação Kardequiana, que há vida após a chamada morte.

Ensinando-nos, ainda, haver do “outro lado” seres inteligentes, capazes de entrar em comunicação conosco, os encarnados, e vice-versa. Comunicações essas, como sabemos, feitas através dos chamados médiuns.

Atualmente, porém, um grupo de cientistas americanos e europeus, com ajuda da própria espiritualidade, está criando aparelhos eletrônicos com capacidade de permitir conversação com essas entidades espirituais e mostrá-las em telas de TV!

Nos Estados Unidos, por exemplo, o engenheiro George William Meek fundou e presidiu a Metaciense Foundation, com sede em Franklin, onde se estuda a criação, cada vez mais aperfeiçoada, de um sistema de comunicação verbal, em dois sentidos, com o plano espiritual.

Assim sendo, em 1971, este engenheiro, com a ajuda de seus auxiliares, Paul Jones e Hans Heckmann, montaram um laboratório com está específica finalidade. E os resultados têm sido os melhores.

O referido sistema de intercomunicação entre vivos e “mortos” baseia-se no já existente: são gravadas, em fitas magnéticas, as vozes dos desencarnados, denominado EVP — Eletronic Voice Phenomenon. Porém, só após seis anos de estudos, em 27 de outubro de 1977, foi que o técnico eletrônico William John O’ Neil, ligado à Metaciense Foudation, conseguiu, pela primeira vez no mundo, obter uma conversação, através de aparelhos eletrônicos, com um ser espiritual que se denominou Doc Nick, médico americano, falecido em 1973. Cinco anos após, em 1978 , conseguiu-se uma outra comunicação, desta vez com o falecido Dr. George Jaffries Mueller, que, da espiritualidade, orientou a William J. O’Neil no aperfeiçoamento do anterior aparelho, criando o Spiricom-Mark – IV, com o qual foram feitas, inicialmente, 20 horas de conversação com os espíritos.

De lá para cá, e, principalmente, em vários países da Europa, tem havido rápido progresso na chamada transcomunicação instrumental, obtendo-se a captação em vídeo, de imagens de pessoas falecidas e considerável número de fotografias do plano espiritual, como as conseguidas por Klaus Schreiber, já desencarnado, e Martin Wenzel, na Alemanha, recebendo-as através de aparelhos de TV, equipados com feed-back.

Por sua vez, o Dr. Rainer Holbe, diretor da Rádio Luxemburgo, escreveu uma obra intitulada Imagens do Distante Reino dos Mortos, onde são mostradas cerca de duas dúzias de fotos de pessoas falecidas, agora na espiritualidade, feitas pelo Spiricom-Mark-IV.

Um outro famoso pesquisador europeu é o alemão Hans Otto Koenig, que, com o aparelho de sua invenção, um Spiricom a Ultrasom, consegue selecionar grupos de sentenças completas, nas conversações com os espíritos, quando anteriormente só se conseguiam algumas palavras ou curtas frases.

Essas e demais pesquisas vêm sendo feitas na tentativa de, através da transcomunicação instrumental com o plano espiritual, conseguir-se, por esse meio, não só entrar em contato com os espíritos, como provar, aos céticos e incrédulos, que a espiritualidade existe e habita as outras casas do Pai, como, há dois mil anos, ensina-nos Jesus. E que podemos vê-los como se estivéssemos assistindo a programas de televisão. Quem viver, verá.

Isso será mais uma prova incontestável de que nós, os espiritistas, sabemos que os espíritos são obra de Deus, “seres inteligentes da criação”, e que “povoam o universo, fora do mundo material” conforme ensina O Livro dos Espíritos (Parte Segunda, cap. I, questão 76).

                                                                                   Rildo G. Mouta

Extraído do “Reformador” mensário da Federação Espírita Brasileira, mês de fevereiro de 2006 — Ano 124 — nº. 2.123.

 

● A redação do blog ao transcrever este artigo, o faz pelo grande interesse que o assunto trasnscomunicação costuma despertar. Porém, alinhados como estamos as idéias contidas no “Atalho”, ressaltamos nossa prudência com relação aos resultados obtidos e ao futuro deste método de comunicação com os desencarnados.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Outras Pérolas Junqueirianas

Outras pérolas junqueirianas

 

 

O homem, crisálida do anjo, foi monstro e planta e verme e rocha e onda; foi nebulosa, foi gás impalpável, foi éter invisível. Articulou todas as línguas, e delas conserva, obscuramente, vagas memórias dormitando.

 

Extraído da revista “Ocidente”, a redação do blog extraiu do “Reformador” de fevereiro de 1951.

Tudo é Atração

Tudo é atração

 

Tudo é magnetismo no campo universal.

A gota dágua obedece aos imperativos da afinidade química, os sóis se harmonizam através da atração, dentro das leis cósmicas.

Imantamo-nos uns aos outros, pelos laços do amor ou do ódio, e pelo perdão ou pela vingança, algemamo-nos mutuamente.

Em razão disso, imaginar é centralizar energias na direção dos objetivos que nos propomos alcançar.

Quem ama e ajuda, acende claridade sublime.

Quem odeia e perturba, arremessa treva espessa para fora de si.

Nessa cadeia de manifestações de nossa vontade, todos nós magnetizamos pessoas e situações e elementos, nas vibrações de nosso propósito atuante, para trazê-los ao nosso círculo pessoal.

Será o amanhã, segundo idealizarmos hoje, tanto quanto hoje é o reflexo de ontem.

A mente estende fios vivos em todos os lugares por onde transitam os interesses que lhe dizem respeito, e, através destes fios potentes e milagrosos, apesar de invisíveis, atingimos a concretização dos mais recônditos intentos.

Mentalizando, o homem sobe ao céu ou desce ao inferno, porque nós mesmos, segundo as diretrizes ocultas que preferimos, nos elevamos às culminâncias da luz ou nos arremessamos aos despenhadeiros da sombra.

Guarde, pois, cauteloso, a fonte dos seus pensamentos que, a cada minuto, se fazem agentes ativos de suas deliberações no bem ou no mal, onde o seu espírito estiver trabalhando.

Toda criatura emite e recebe eflúvios e ondas de criação, renovação e destruição, no campo das idéias, porquanto a idéia é a força plástica, exteriorizante e inextinguível da alma eterna, no infinito do espaço e do tempo.

De acordo com os projetos que você apresentar à vida, a vida, que é a gloriosa manifestação de Deus, responderá a você com as realizações desejadas.

Subir e descer, esperar ou desesperar, lucrar ou perder, melhorar ou piorar, crescer ou reduzir, avançar ou estacionar resulta de nossa atitude interior.

Vigie o pensamento e a vontade, para que se desenvolvam e marchem, dentro dos moldes do ilimitado Bem, e jamais se arrependerá, porque o próprio Cristo ensinou, de viva voz, que:      “o homem possui o seu tesouro onde guarda o coração.”

 

Ismael Souto

Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da noite de 11 de Abril de 1950.

Extraído do “Reformador”, mensário religioso de espiritismo Cristão do mês de fevereiro de 1951.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Sonho do Senador

O Sonho do Senador

 

 

O Senador romano Públio Lentulus Cornelius, descendente da famosa “gens Cornelia”, era bisneto do cônsul Públio Lentulus Sura, déspota cruel que tomara parte na conspiração de Catilina e que, prevalecendo-se de sua autoridade, fizera as mais tremendas vinganças contra seus inimigos políticos. Muitos adversários tiveram os olhos vazados com ferro em brasa, nas masmorras.

Falhada a conjuração, que foi em tempo denunciada por Cícero ao senado, no ano 63 a.C., Lúcio Sergius Catilina foi morto, de armas na mão, em Pistóia. Esse fato foi minuciosamente relatado por Salústio e chegou aos nossos dias, igualmente pelos famosos discursos de Cícero, conhecidos pelo nome de Catilinárias. O Ex-consul Públio Lentulus Sura não teve a glória de morrer em combate: foi preso e estrangulado.

Seu bisneto, Públio Lentulus Cornelius, orgulhoso senador romano, contemporâneo de Jesus, cuja autobiografia é o tema do romance “Há dois mil anos...”, de Emmanuel, no ano 31 de nossa era teve um sonho nítido e terrível que lhe revelou o tenebroso passado e lhe deu conhecimento da lei das encarnações sucessivas. Sonhou que ele mesmo era aquele antepassado cruel que vazava os olhos dos inimigos e que mais tarde fora estrangulado; depois de terrível sofrimento no mundo espiritual, fora julgado por um tribunal sábio e misericordioso que lhe dera por sentença voltar à terra, em encarnação expiatória, mas com a possibilidade de conhecer a Verdade, pois viveria ao mesmo tempo que o Divino Mestre, de quem receberia os grandes ensinos e os exemplos. Se tivesse coragem de romper com o orgulho e os preconceitos de nobreza e autoridade, suavizaria de muito suas expiações e progrediria rapidamente.

Profundamente impressionado com este sonho, deu minuciosa busca nos arquivos da família e encontrou numerosos manuscritos do seu antepassado, cuja escrita era muito semelhante à sua. Igualmente os traços fisionômicos eram os mesmos de um retrato em cera do bisavô.

Todos os fatos se encaminharam para que ele viesse a encontrar o Divino Mestre que lhe curou de lepra uma filhinha, e ouvisse diretamente dos lábios de Jesus a grande lição de que necessitava mudar de rumo; mas o orgulho o cegava: negou a realidade da cura pelo Cristo e continuou sua vida em busca das glórias do mundo, desprezando as realidades espirituais.

Destruiu sua própria felicidade no lar dando créditos a calunias contra sua santa esposa, modelo de virtudes, e recusando-se a ouvir dos lábios dela qualquer justificativa. Só trinta anos mais tarde veio conhecer a verdade e compreender o crime que cometera contra a esposa; quis reconciliar-se com ela, mas demasiado tarde, porque ela havia sido lançada às feras no circo, com outros cristãos, algumas horas antes do momento que ele a si mesmo marcara para confessar-lhe seu erro.

Desprezou todos os meios que a providência colocara em suas mãos para suavizar-lhe as provas, e se projetou, pela cegueira do orgulho, nos mais terríveis sofrimentos de uma encarnação longa e pouco aproveitada.

Dois mil anos mais tarde nos vêm ele mesmo, já trabalhado pela dor e convertido ao bem, com o pseudônimo de Emmanuel, tão caro a todos nós, contar-nos sua história para edificação nossa.

“Há dois mil anos...” e “Cinqüenta anos depois” são dois volumes que a misericórdia divina lhe permitiu entregar-nos para demonstrar os abismos em que nos pode projetar o orgulho de casta e de família.

A forma literária desses livros é a de romances encantadores, que são lidos até pelos mais descrentes, mas merecem ser estudados e meditados pacientemente por nós que temos a fortuna de crer na Terceira Revelação e por isto mesmo com maiores responsabilidades.

Ismael Gomes Braga

Extraído da Revista “Reformador”, mensário religioso de espiritismo cristão, editado pela Federação Espírita Brasileira do mês de fevereiro de 1951.